Elaborado por Gilberto Peverari
em 26/07/2025
Já pensou em ter uma vida com mais propósito após a aposentadoria? Nós, com certeza!
Residimos em São Paulo, os dois já aposentados, com um filho já formado e seguindo sua vida independente.
Já havíamos vivenciado duas experiências diferentes, envolvendo nossos pais: de um lado, a residência na própria casa, com cuidadoras por 24h e nosso contato diário, e, por outro, a vida em um residencial muito agradável, com muito verde, lago, piscina, além de médico, nutricionista, fisioterapeuta, cuidadoras e enfermeiras, no litoral paulista e contato frequente, mas não diário. Parkinson, Alzheimer e Fronto-temporal. As evoluções foram acompanhadas com atenção e tristeza até as partidas.
A DESCOBERTA DO COHOUSING
Em 2021, uma prima da Vaneza, arquiteta que estava em contato com uma pessoa envolvida com o conceito de Cohousing, após discorrer sobre esta modalidade de moradia, a alertou para uma live sobre o assunto. A partir daí, a Vaneza passou a participar de muitos desses encontros e, em um deles, ouviu sobre a formação de um cohousing sênior em Campinas.
Contato estabelecido com esse grupo, participamos de uma entrevista, tanto para eles nos conhecerem e avaliarem se tínhamos perfil para nos tornarmos vizinhos, como para nós obtermos mais detalhes sobre a proposta e que ajustes teriam de ser feitos em nossa vida, pois, apesar de eu já ter morado em Campinas e termos contato frequente com amigos que lá residem, sair de um bairro em que moramos por mais de 30 anos, com parentes próximos, mudar-se para outra cidade para morar com pessoas que não conhecíamos e ficar mais distantes de nosso filho eram questões a considerar.
O processo de avaliação levou um tempo, até nos decidirmos, estando nós três conscientes das adaptações. Até porque, durante a reunião com a Comissão de Admissão, nos foi dito que, em várias ocasiões, os filhos acabam influenciando os pais a manterem o status quo.
O fato de estarmos distantes dos demais só não foi um grande obstáculo porque as reuniões remotas passaram a ser mais corriqueiras após a pandemia.
Então, em 2022, Vaneza e eu decidimos nos mudar para Campinas e residir no Cohousing Sênior Vila ConViver.
CONTRIBUINDO E APRENDENDO
Após o nosso período de adaptação, fomos nos integrando e participando mais ativamente de alguns Grupos de Trabalho, Comissões e Órgãos, vivenciando, de fato, o caráter colaborativo deste tipo de moradia. Mais do que tudo, intencional.
Não podemos dizer que foi um processo fácil, já que, sendo a autogestão um princípio básico, por vezes temos de opinar, decidir ou executar em situações que não estavam dentre nossas capacidades ou habilidades. No entanto, sua vivência é rica, pela ação do time, da diversidade de bagagens, linhas de raciocínio e olhares. Todos atuando por um propósito importante para a comunidade. Um baita aprendizado: a como ouvir, como falar e quando silenciar.
COHOUSING: UMA ANÁLISE COMPARATIVA
Em projetos, na minha vida profissional, também tinha disso, mas com algumas diferenças, porque, neste caso, cobra-se rendimento e paga-se por isso. Além disso, há uma capacitação prévia dos envolvidos e os resultados esperados, na maioria das vezes, são bem claros. Os objetivos são minuciosamente especificados e as metas, como escopo, prazo, custo e qualidade são bem determinados antes de o projeto ser iniciado. Em termos de empreendimento, são muitos técnicos na operação e poucos stakeholders, ou partes interessadas. Em relação ao ambiente, em obra, acentuados pelas pressões, alguns conflitos passam pelo aumento do tom de voz e o bate-boca, antes de cada um voltar ao seu canto e continuar seu trabalho.
Em um Cohousing, as partes interessadas são muitas, em comparação com os fornecedores de serviço. Mais do que focado em um objetivo claro, a motivação para a constituição da comunidade nasce de um sonho. Sendo sênior, as habilidades, por vezes, já não são mais as mesmas, por mais empenho que se tenha. As definições não são determinadas por um ou por um grupo seleto, mas por todos. É… a sociocracia também é um exercício interessante, ao qual não estamos muito acostumados. Os conflitos, quando não há consenso, normalmente, seguem por um caminho mais tranquilo, com exposições de pontos de vista, apreciações, reflexões e, no mínimo, chegam a um consentimento, com cada um voltando ao grupo e abraçando o projeto. Como em qualquer relacionamento, cede-se aqui ou ali, em vista de algo muito maior.
NÃO ESTAR DENTRO NÃO SIGNIFICA, NECESSARIAMENTE, ESTAR FORA
Com todos esses ganhos e ricas experiências, é estranho dizer, mas, ao longo do tempo, outras questões não só nascem, como crescem, requisitando uma pausa.
E assim nos tornamos ex-associados, sem, entretanto, ter qualquer restrição em relação aos associados, à Associação ou, principalmente, ao conceito desta modalidade de moradia.
Exatamente por esse motivo, decidi-me por trabalhar em favor desta alternativa, que entendo como a melhor para a idade avançada: com interações, a perspectiva da longevidade, mais saúde física e mental, autonomia, poder escolher entre a privacidade e a socialização, enfim, felicidade.
E, é claro, não poderia deixar de dizer que temos planos de retornar, com toda força, à vida em Cohousing.
PRÓXIMOS PASSOS
Esclarecer, participar, divulgar, colaborar, oferecer.
Em breve haverá mais contribuições aqui e em minhas redes sociais, para semear essa ideia, que considero muito produtiva.

Gilberto Peverari
CEO Escalare
Gilberto
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